Estamos muito felizes com sua visita. Esperamos que seja a primeira de muitas oportunidades em que possamos compartilhar de tudo aquilo que esta casa, o nosso Centro Espírita, tem para nos oferecer, sem nada exigir em troca.
O Centro Espírita é uma instituição cujo objetivo é levar para todos, sem distinção de raça, crença religiosa ou política, a consolação e o esclarecimento fundamentados na filosofia, ciência e religião, contidos nos ensinamentos organizados por Allan Kardec.
Já que esta é sua primeira visita, vamos esclarecer algumas dúvidas para que você possa abrir a porta, confiante, deixando de lado algumas idéias concebidas erroneamente, criadas pela imaginação daqueles que desconhecem o Espiritismo.
Muitos pensam e acreditam, por terem recebido informações distorcidas, que Espiritismo, Umbanda, Candomblé, Quimbanda etc. é tudo igual.
Queremos deixar bem claro para você que está nos visitando que há grandes diferenças entre o Espiritismo e as demais crenças espiritualistas. A única coisa que todas têm em comum é o fato de estabelecerem contato com espíritos desencarnados, fora isso são bem diferentes. O Espiritismo surgiu na França, no século passado, com o lançamento de
O Livro dos Espíritos, organizado por Allan Kardec com a ajuda de espíritos de grande moral. No Espiritismo não há rituais, não há adoração de imagens e não são feitos “trabalhos”.
O objetivo primeiro do Espiritismo é esclarecer as pessoas quanto às questões que envolvem o Espírito, suas angústias, suas dores, seu futuro, seu passado, para onde ele vai, de onde ele veio e assim por diante. É uma doutrina de tríplice aspecto: ciência, filosofia e também religião. Como não é nosso objetivo esclarecer tudo nesse momento, caso você queira se aprofundar no assunto, recomendamos a leitura dos livros de Allan Kardec. Não se preocupe, não estamos fazendo proselitismo nem queremos transformar você em espírita, nosso desejo sincero é que você nos conheça e nos entenda melhor.
Podemos continuar então? Vamos em frente.
Na Recepção
Como está assinalado na placa à entrada da nossa casa, temos um calendário de atividades. Hoje é o dia de recebermos assistência espiritual. Como pode ser visto, no nosso salão não há imagens, estátuas, velas nem incensos, nenhum ritual de iniciação para aquele que chega pela primeira vez ou para quem quer que seja. Como você ainda se sente um estranho nesse ambiente, nos diz: “É a primeira vez que venho até um Centro Espírita, gostaria de conhecê-lo melhor”. A resposta é, ao mesmo tempo, educada, atenciosa e carinhosa, convidando-o para ouvir algumas palavras sobre OEvangelho – é isso mesmo, O Evangelho de Jesus – e, logo em seguida, receber um passe – transmissão de energias salutares, reconfortantes – e beber um pouquinho de água fluidificada. Para você tudo isso é novidade, não é? Mas nós vamos explicar direitinho do que se trata. Gostou da acolhida? Ótimo.
Enquanto você aguarda a palestra, que tal passear um pouco pela casa?
Na Livraria
Quantos livros! Dispostos de forma convidativa, ao lado da recepção, a livraria Espírita. Ponto de encontro de todos aqueles que estão buscando levar para casa literatura sadia, que faz bem para o espírito e, portanto, para o corpo físico. Aqui nós temos as obras básicas do Espiritismo. O Livro dos Espíritos: foi com o lançamento desse livro que se iniciou a Doutrina Espírita. O termo Espiritismo foi criado por Allan Kardec, referindo-se à doutrina da qual seria o codificador e que ordenou de forma didática e pedagógica, já que ele era um conceituado pedagogo da época. No ano de l857, Kardec lançava sua primeira edição. Há também O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno e A Gênese , todos de Allan Kardec. Há outro autores de grande importância para o entendimento do Espiritismo. Por exemplo, a Coleção Léon Denis, O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Mas há muito, muito mais. Pode folhear à vontade. Livraria é para isso mesmo, para que nós possamos ter um contato direto com o livro, levar aquele que chama mais a nossa atenção e que nos toca com sua mensagem.
Quem não gosta de uma história bem contada, de enredo atraente, onde se possa aprender algo novo e ao mesmo tempo repleta de passagens que nos falam de perto às nossas próprias dificuldades e problemas? No romance espírita encontramos muito de nós mesmos, das nossas dúvidas respondidas pela ação que envolve os seus personagens. Essa literatura tem origem, em grande parte, em narrações feitas por Espíritos com grande bagagem moral, intermediados pelo médium. O médium, como sugere o nome, é o medianeiro do plano espiritual. É a criatura dotada da possibilidade de servir como intérprete dos espíritos. É o caso de Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho e muitos outros. Realizam verdadeiras reportagens do outro lado da vida. Segundo muitos espíritas, trata-se de livros que permitem ampliar a visão daqueles que estão iniciando nas questões da vida espiritual. Há muitos outros livros, todos repletos de mensagens de esperança, consolação e esclarecimento. Vamos continuar nosso passeio pelo Centro Espírita?
Na Assistência Espiritual
Esse é o salão principal da nossa casa. Nele são realizadas as palestras espíritas, tomando-se por base O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Espíritos e as demais obras de Allan Kardec. Durante a palestra, os amigos espirituais, mensageiros de Jesus, estão ao nosso lado, buscando nossas necessidades principais e nos auxiliando segundo a nossa fé e merecimento. A sessão é aberta com uma prece, aquela que Jesus nos ensinou: o Pai-Nosso. Um dos trabalhadores da casa é convidado a pronunciá-la em voz alta, e todos os demais o acompanham silenciosamente, em pensamento. Depois da prece, o dirigente da reunião, no espaço dedicado aos avisos, apresenta breve explicação sobre o trabalho espiritual que será realizado e transmite alguns avisos da Diretoria, convidando-nos para outros eventos e campanhas de alcance social, lembrando-nos sempre da necessidade de comparecermos com assiduidade à casa espírita e praticar os ensinamentos ali recebidos.
Convidado pelo dirigente da reunião, levanta-se o palestrante do dia, apresentado-se com muito respeito, mas informalmente, saudando a todos com uma afirmação positiva. Ele faz uma breve palestra sobre o Evangelho, com base na visão espírita, situando as questões em nossa rotina diária. A linguagem do expositor – é assim que chamamos o orador espírita – fala de perto a algumas questões que nos dizem respeito. Seu tom de voz é calmo, mas confiante e envolvente. Não pretende, com suas palavras, dar lições de moral ou fazer um sermão. Situa-se, ele mesmo, como um daqueles que precisam, igualmente, atentar sobre o que está sendo exposto. A lição é para todos, mas aquele que fala está mais próximo de ouvir e entender o que deve pôr em prática. Aquela parábola de Jesus, que nos parecia tão difícil de entender, de repente é clareada pela explicação do expositor. O tempo passa rápido, finda a apresentação, o palestrante agradece a atenção de todos e continua presente, sentando-se ao lado de outros trabalhadores, que, igualmente tranqüilos, participam de boa vontade da tarefa.
Nesse instante, o dirigente retoma a palavra, pedindo a todos que mantenham o silêncio da prece e aguardem o momento da chamada para o passe, o qual será transmitido pelos médiuns que se encontram na sala ao lado. Avisa que o médium é apenas um intermediário dos mensageiros de Jesus, espíritos de elevação moral que se utilizam do seu equipamento físico para transmitirem o passe. Explica que o passe nada mais é do que uma transfusão de fluidos benéficos que vão nos dar nova disposição física e espiritual. Fique tranqüilo! Vamos entrar juntos na câmara de passe. É uma sala comum. Não há nada além das cadeiras – enfileiradas, possibilitando um atendimento homogeneizado e coletivo – e dos médiuns, criaturas que se apresentam como nós, com simplicidade, concentradas na tarefa que vão realizar.
De frente para a cadeira onde estamos sentados, o médium nos convida, em voz baixa e respeitosa, a pensar em Jesus. Mentalizando a imagem do Divino Amigo, sentimos a serenidade e a energia que recebemos, por intermédio do médium. Em questão de poucos instantes, somos convidados a levantar, ao ouvir a expressão “graças a Deus”. Está encerrada aquela etapa. Somos encaminhados de volta ao salão principal, não sem antes passar por uma mesa onde são depositados copos descartáveis que contêm água fluidificada. Essa água é portadora de fluidos invisíveis aos olhos físicos, especialmente direcionados por meio dos Espíritos para o benefício de todos. Não somos obrigados a tomar a água, mas o clima é tão tranqüilo, o ambiente tão reconfortante e seguro, que ninguém se recusa a servir-se dela. Dali, retornamos ao salão de reuniões. Aquelas imagens místicas e exóticas que estavam em sua mente não corresponderam à realidade do Espiritismo, não é? Ótimo. Você recebeu o passe à luz do dia, aplicado por médiuns bem-intencionados, sabedores de que são apenas e tão-somente ferramentas do Pai Celestial. Transmitem de graça aquilo que de graça receberam. Não há mistérios. O Espiritismo trabalha com a força do pensamento direcionado para o bem.
De volta ao auditório, vamos participar das vibrações. Nesse instante, o dirigente agradece a Deus pela oportunidade que todos tivemos de receber a caridade divina e nos convida, nós que tanto recebemos, a doar um pouco do amor presente em nosso coração. É o momento das vibrações. Um trabalhador da casa é convidado a ler o roteiro preparado com antecedência, o que faz com muito sentimento, pedindo a todos que o acompanhem em pensamento. Nessa leitura são mencionados aqueles que sofrem, os trabalhadores do bem, os nossos familiares, entre outros.Nossa parte é simplesmente direcionar nosso sentimento de piedade e amor para aqueles que estão sendo lembrados. Vibração é assim: em pensamento, direcionamos nossas melhores energias, impulsionando-as pelo sincero desejo de auxílio em favor do próximo. Fácil? Sem dúvida, mas muito importante. Quantos são beneficiados a distância por essa projeção de amor, invisível aos olhos físicos, mas sensível às percepções espirituais.
Já estamos chegando ao final da nossa reunião.
O Mentor
Um médium é convidado a receber o mentor. Mentor é o instrutor espiritual, aquele que muitos conhecem por guia ou anjo da guarda. O significado é o mesmo, porém revestido da realidade de que ali se manifesta um espírito de moral elevada, sem o corpo físico, mas criatura igual a nós, um irmão de maior entendimento das leis divinas, valendo-se da mediunidade para nos transmitir conhecimento. A manifestação é calma, o médium mantém a serenidade, muda ligeiramente o tom de voz e a maneira de falar, ganhando uma conotação diferente daquela que habitualmente caracteriza sua conversação, porque assume as características do espírito comunicante. As palavras do espírito revestem-se de muita seriedade, consolando, esclarecendo, em tom fraterno e respeitoso; não menospreza nem acusa, em momento algum, quem quer que seja. São breves instantes pontuados de muita sabedoria, que servem de alerta para todos os participantes da reunião. O mentor se despede, recebendo o agradecimento fraterno do dirigente da reunião. O médium retoma o seu lugar silenciosamente, envolvido pelo carinho de todos.
A Prece Final
Nesse momento, no final da reunião, um dos voluntários é convidado a formular a prece de despedida, a qual acompanhamos em pensamento. O dirigente agradece, lembrando a necessidade da presença de todos na próxima semana. Retiram-se do ambiente, sentindo-se aliviados de uma carga pesada, da qual se desvencilharam. Nesse momento podemos lembrar as palavras de Jesus: “ Vinde a mim vós todos que estais em sofrimento e vos acheis carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis repouso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Mateus, 11: 28-30.
O Esclarecimento
Mais confiante? Já apagou aquela imagem negativa sobre as reuniões espíritas? Ótimo! Aproveitando, como dissemos antes, mais uma lembrança: não existe Espiritismo de mesa branca, baixo Espiritismo, alto Espiritismo ou Espiritismo de terreiro. Sem menosprezar ou questionar outras seitas e religiões, que entendemos como degraus de aprendizado para nos religar a Deus quando praticam o bem e a caridade, o Espiritismo é único, contido nas obras básicas da codificação recebidas a partir de 1857, trabalho coordenado por Allan Kardec. Desse ponto de vista, o Espiritismo, como religião, abraça o Cristianismo, sendo dele a mensagem rediviva, resgatando os ensinamentos de Jesus desvinculados das deturpações que sofreu ao longo dos séculos. No Espiritismo não há dogmas, rituais, sacrifícios, batismos, celebrações, palavras mágicas, incensos, velas, sacerdotes, altares etc. A expressão “kardecista” ou “kardecismo” é igualmente sem fundamento, porque Allan Kardec, em momento algum, desejou ser seguido de forma personalista, ou mesmo ser cultuado como líder religioso. O Espiritismo, como aprendemos, pertence, como doutrina, aos espíritos. O movimento espírita é realizado por nós, na prática daquilo que está prescrito nos ensinamentos recebidos.
Vamos continuar? Sobre a assistência espiritual, mais alguns esclarecimentos se fazem necessários.
Assistindo a uma palestra pública, como a que acabamos de ver, aquele que comparece pela primeira vez à casa espírita recebe a caridade dos Espíritos, ganhando impulso novo e ânimo renovado para continuar empenhado na solução de suas questões pessoais. Poderá receber, se for seu caso, um esclarecimento para você, direcionado para o seu caso particular, sendo conduzido – se necessário – a uma assistência espiritual adequada. Influenciados por espíritos ignorantes e sofredores, somos vítimas da obsessão em nossa invigilância espiritual. Segundo Kardec, trata-se da ação maléfica de um Espírito desequilibrado que se aproveita de uma fase que, por razões diversas, encontramo-nos enfraquecidos. Uma das razões da vacilação da nossa força interior é o apego a hábitos negativos, dos quais todos nós – mais ou menos – ainda somos portadores, e que atraem a companhia de espíritos que se comprazem nessa sintonia viciosa, causando-nos perturbações e desequilíbrio.
Desobsessão
No Centro Espírita há voluntários preparados para a tarefa de entrevistar a pessoa com problemas de obsessão, esclarecendo-a com base nos conhecimentos espíritas. Na câmara de passe é realizada a assistência espiritual, direcionada para a cura do assédio espiritual. Esse trabalho é realizado sem se recorrer a rituais. Fundamentado no Evangelho, inicia-se o trabalho de desobsessão, envolvendo com muito carinho – e disciplina – a ambos, obsediado e espírito obsessor. Palestras, passes, água fluidificada, incorporação dos espíritos sofredores que acompanham o assistido – na intenção de esclarecê-los e encaminhá-los para um posto socorrista na espiritualidade – essa é a terapia espírita, que esclarece tanto aqueles que se encontram no corpo físico quanto aqueles que estão no plano espiritual. Os resultados serão mais produtivos quando o assistido dispor-se, com determinação, a renovar seus hábitos, desvinculando-se de sentimentos e pensamentos negativos e viciosos.
Para atender gestantes, crianças e jovens, o Centro Espírita desenvolve sessões especialmente dirigidas em que a tônica da palestra é adequada às situações que são vivenciadas por esses nossos irmãos. Os passes são igualmente direcionados às necessidades dos assistidos.
Na Escola Espírita
Amai-vos e instrui-vos. Nessa afirmação espírita está contida a filosofia da escola espírita. Em outra sala, num recinto bem menor do que o nosso salão de palestras, você pode ver o ambiente de aprendizado: lousa, carteiras, material didático, retroprojetor, livros, cadernos etc. Nele é ministrado o Curso Preparatório de Espiritismo, no qual os alunos são motivados a estudar O Livro dos Espíritos. Os cursos são ministrados por expositores, trabalhadores voluntários que seguem uma programação didática e são encarregados de dar as aulas de forma interativa, motivando os participantes, valendo-se de vários recursos pedagógicos.
As aulas são iniciadas sempre com uma prece, seguida de leitura de um texto de autor espiritual sobre o qual o expositor, no final, faz observações pertinentes, conforme sua interpretação. Adota-se um livro-texto, no qual, de forma resumida, os temas são apresentados para facilitar o entendimento do aluno. Não há notas na escola espírita nem são exigidos diplomas acadêmicos para dela participar. Exigem-se apenas atenção, boa vontade para aprender, a leitura dos textos recomendados e... reforma íntima, ou seja, esforço para modificar nossos sentimentos e comportamento de acordo com os ensinamentos de Jesus. Há lugar para todos. Não há cobrança de matrícula, taxa ou mensalidade. Os alunos são convidados a participar dos trabalhos da casa e de sua ação social, segundo suas possibilidades individuais e tempo disponível. No final, vibrações e prece de despedida.
Seguindo nossa explanação, há outros cursos em nossa casa espírita: o básico, aprendizes do Evangelho, mediúnico. Para aqueles que desejam trabalhar como oradores e palestrantes, há o curso de expositores. Há também o curso de passes, de entrevistador, doutrinador, dirigente de reunião e da parte prática da escola mediúnica.
Em alguns Centros Espíritas há ainda o ensino fundamental atende à grande missão do Espiritismo, que é esclarecer. Em outros Centros são organizadas turmas nas quais são ministradas aulas de alfabetização de adultos ( para aqueles que não tiveram oportunidade na infância e juventude de freqüentar uma escola regularmente e que sentem vontade de ter acesso aos textos e conhecer o maravilhoso e esclarecedor mundo dos livros ). São muitas as oportunidades de entendimento das questões que envolvem nossa existência física e espiritual. No Espiritismo, a abençoada escola da ciência, da filosofia e da religião impulsiona nosso coração e mente a alturas maiores de entendimento, que vão modificar – para melhor – o curso de nossa vida.
Na Assistência Social
Se um dia você estiver visitando um Centro Espírita e sentir no ar um aroma delicioso de comida, não se espante, trata-se da sopa fraterna, preparada com muito carinho para aqueles nossos irmãos que, momentaneamente, buscam nossa casa apenas para sustentar o corpo físico combalido, além de ouvirem também uma oração e alguns comentários sobre o Evangelho. Se você quiser, não precisa se acanhar, entre no refeitório. Ele é humilde, mas muito funcional. Numa salinha no fundo funciona um pequeno ambulatório, onde um médico voluntário receita medicamentos que são fornecidos sem custo nenhum para quem vai buscá-los. Há as enfermeiras voluntárias, que fazem curativos e aplicam injeções. Todos são atendidos. Esses irmãos que vêm buscar auxílio estão cursando a escola abençoada da dor. Cabe a nós participar, auxiliando, sem nada exigir em troca e sem julgá-los, cursando, por nossa vez, a escola do amor...
Uma vez por mês um colaborador voluntário, que é cabeleireiro, apresenta-se para cortar o cabelo dos assistidos, que recebem também vestuário doado para suprir suas necessidades. No inverno, todos ganham um cobertor para suportar o frio. Cadastramos todas as famílias; para isso são providenciadas as fichas com nomes e endereços das que necessitam receber uma cesta básica mensal que as auxiliará provisoriamente, enquanto ganham força para recuperar-se socialmente. Muitos são encaminhados para serviços rudes que os auxiliam quais os amparam com alguns recursos financeiros os quais contribuem, acima de tudo, para lhes devolver a dignidade e o amor-próprio. Esse apoio é realizado por uma equipe que supre, igualmente, as necessidades espirituais dos necessitados. A assistência social é precedida por uma prece e breve estudo do Evangelho. Não há nenhuma preocupação em formar seguidores do Espiritismo, mas em levar a todos o consolo, a resignação e a força para superar o momento difícil pelo qual estão passando. Tudo aquilo que distribuímos é doado pelos freqüentadores da casa, moradores das imediações, sensibilizados pela nossa iniciativa. Aquele senhor que está lavando os pratos, por exemplo, é o gerente da nossa agência bancária. Aquela senhora que está esfregando o chão é professora aposentada e sente-se muito feliz em realizar tarefas consideradas humildes pela sociedade.
Infância, Mocidade e Juventude
Estamos felizes com sua disposição de continuar essa caminhada pelo nosso Centro Espírita... Vamos conhecer a sala onde se reúnem nossos jovens e crianças. Estão tão envolvidos em suas tarefas que nem vão notar nossa presença. Estão desenhando, passando para o papel as imagens dos ensinamentos de hoje. A expositora, preparada para essa tarefa a qual exerce com muito amor, apresentou uma passagem do Evangelho, valendo-se de linguagem simples, adequada aos pequeninos, procurando neles despertar o desejo sincero de praticar o bem. E parece que foi bem-sucedida!
Eventos
A área de infância, mocidade e juventude divide-se por faixas etárias. Tanto para os pequeninos, que rabiscam e brincam com tanta alegria, quanto para os maiorzinhos e mesmo para os adolescentes são dirigidos programas pedagógicos estruturados por aqueles que, no magistério, exerceram funções de planejamento e direção. Direcionando adequadamente os ensinamentos espíritas, tendo por objetivo dar fundamento moral aos jovens, estamos plantando um futuro melhor para nossa sociedade. Eventos da área reúnem os jovens nas férias e em outras ocasiões, nas quais eles mesmos coordenam dinâmicas de grupos e debates, sempre assistidos por monitores, que os acompanham de perto, não perdendo de vista a necessidade de ampará-los no esclarecimento de dúvidas e na execução das tarefas. Quando alcançam a idade adulta, são convidados a participar dos cursos da casa, começando pelo preparatório. São aqueles nossos irmãos conduzidos para a doutrina pelo amor. Muitos deles são médiuns e recebem, já na infância, o aprendizado e a proteção que vão poupá-los de muitos dissabores e inconvenientes.
Na Biblioteca
Os livros são encapados, catalogados e ficam dispostos nas estantes de modo a facilitar a leitura das pessoas que não podem comprar. Elas retiram os livros de que necessitam na biblioteca circulante, devolvendo-os no prazo determinado. Não custa nada apresentar um comprovante de residência, documento de identidade e pronto: leva os ensinamentos do Espiritismo para a casa sem despesa nenhuma.
Vamos falar um pouco sobre doação. Não são apenas as editoras que doam livros para as casas espíritas. Algum tempo atrás desencarnou um dos voluntários da casa que fazia da leitura seu lazer favorito. Os amigos freqüentavam sua casa pelo simples prazer da boa conversa. O anfitrião abria livros, copiava trechos, ilustrando seus esclarecimentos em base firme, ali comprovada. Isso quando não emprestava ou mesmo presenteava o visitante com a obra consultada. Pois é, depois do seu retorno para a pátria espiritual, a sala dos debates do nosso amigo foi respeitosamente fechada por sua família e os livros... esquecidos na estante. Alguns meses depois, surpresa! Por meio da psicografia recebemos um recado do amigo desencarnado, que pedia aos seus familiares que doassem sua biblioteca, agora esquecida, para nossa casa espírita! Segundo seu filho, foi fácil reconhecer o pai nas linhas e entrelinhas da mensagem psicografada, tanto pelas expressões de que se valia na intimidade familiar, as mesmas ali utilizadas, quanto na energia que empregava para motivá-los a praticar o bem. O comentário do herdeiro foi um só: “Por que nós não pensamos nisso antes?” O Centro Espírita não vive apenas de doações de livros, eles aceitam de tudo, desde que esteja em bom estado. De que adianta receber coisas que não servem, não é? Fogão, geladeira, vitrola, patins, bolinha de gude etc. Se você tiver alguma coisa que não está usando, mas que esteja funcionando, e que parece não servir para você, lembre-se: servirá sempre a alguém que precisa.
A biblioteca faz parte da nossa área de divulgação. Companheiros dedicados a essa tarefa organizam reuniões, seminários, simpósios espíritas, sempre em conjunto com outras casas e entidades federativas, trazendo para todos nós a experimentação alheia, novidades, palestrantes especializados em vários temas, filmes. Esse mesmo pessoal edita um boletim mensal pelo qual são transmitidos esclarecimentos, convites e divulgados artigos de interesse geral, sempre sobre os ensinamentos espíritas, que colaboradores fornecem ou que são transcritos de jornais e revistas espíritas. Nossos companheiros, divulgadores, providenciam elaboração de cartazes, faixas, folhetos, volantes, sempre com a intenção de ampliar o alcance do ensinamento doutrinário, levando a todos a possibilidade de um consolo que apreendemos pelo nosso próprio raciocínio e não por dogmas, que nada mais são do que “pratos feitos” impostos por muitas religiões. Cuidam também dos murais de avisos, dispostos pela casa, onde são afixados memorandos, convites, mensagens dos espíritos comunicantes e tudo aquilo que possa interessar ao nosso trabalho voltado para o bem. Esse procedimento evita aquela poluição visual provocada por papéis colados nas paredes ao acaso, estragando a pintura e dispersando a atenção das pessoas.
Nas Oficinas
Nosso passeio está quase chegando ao final. Vamos até aquele galpão, lá fora? Lá era nossa garagem. Dava para estacionar vários carros. Depois, virou depósito de doações. Um dos nossos colaboradores, desejando ajudar, doou para o Centro uma boa quantidade de blocos e foi possível, assim, construir um pequeno armazém onde as doações foram dispostas com muita organização. Sobrou a garagem. Em nossas reuniões de diretoria, nossos diretores que são todos voluntários, traz para o Centro não só a boa vontade, mas também suas experiências profissionais. Discutimos a necessidade de dar aos jovens da nossa comunidade uma oportunidade de aprenderem uma profissão.
Foi só levantar a idéia que um companheiro, proprietário de uma oficina mecânica, se ofereceu como voluntário, para transmitir seu conhecimento. Assim, iniciamos nosso primeiro curso profissionalizante. O curso ganhou impulso, e os jovens estão pondo seu aprendizado em prática. Aqui estamos em uma verdadeira oficina mecânica, onde se aprende, na prática, a teoria dos livros. Naquele cavalete está o carro de um dos trabalhadores voluntários, desviado do caminho que leva ao cemitério de automóveis, para servir de cobaia aos alunos. No final do curso, o veículo, será vendido, e o resultado será destinado a comprar mais peças e ferramentas.
Motivados pelo sucesso da oficina mecânica, já estamos prontos para iniciar outros cursos. Ganhamos um computador e uma impressora, e o próprio doador está se oferecendo para dar aulas práticas de informática. Nossa cozinha vai ser improvisada em escola de arte culinária. Massas e pães são os primeiros ensinamentos, em aulas práticas ministradas por uma voluntária que trabalha em uma padaria. A lição do dia, se aprovada pela professora, será vendida em nossa lanchonete. Pretendemos implantar um curso de confecção, aproveitando aquela antiga máquina de costura e a boa vontade de algumas colaboradoras que se aposentaram nessa profissão...
Na Lanchonete
Antes de você ir embora, vamos tomar um lanche. Prefere chá ou café? Também temos suco de laranja. Hoje é por minha conta! Vou sugerir um sanduíche natural. Essa lanchonete, pequena, mas tão bem organizada, nasceu de uma necessidade. Muitos companheiros dirigiam-se diretamente para o Centro, sem tempo de fazer a refeição em casa ou na rua. Começamos timidamente, com uma garrafa térmica de chá e outra de café, mais pedaços de bolo e torta embrulhados para não esfarelar, fornecidos pelas voluntárias, moradoras das imediações. Os freqüentadores da casa se aproximavam, experimentavam e repetiam. Aumentou a freguesia. A arrecadação da lanchonete vai para o nosso fundo de assistência social e se transforma em medicamentos que estamos comprando para atender os necessitados. Você já vai e eu também tenho de continuar.
Qual o meu trabalho, aqui no Centro Espírita? Minha função é receber aqueles que aqui chegam pela primeira vez e conduzi-los para que conheçam nossas atividades. Espero que tenha gostado e que retorne outras vezes.
Abraços fraternos.
Nota: Provavelmente, quando você estiver visitando outro Centro Espírita e não encontrar tudo o que descrevemos acima, não estranhe, leve em consideração vários fatores importantes. O Centro pode ser pequeno, dispor de poucos voluntários e sem condições de abraçar todas as tarefas descritas, ou pode ser ainda um Centro ainda em formação e não houve tempo nem condições de implantar as tarefas descritas. Em alguns Centros Espíritas, você não verá água fluidificada ou outro item mencionado nesta matéria. Não se preocupe, o que importa é você não encontrar aquelas imagens, rituais, trabalhos, batuques etc. que mencionamos no começo. O importante é você ser amparado, bem recebido e sentir-se bem no ambiente.
Esperamos que tenha gostado e que as informações tenham sido úteis e esclarecedoras. Agradeceríamos qualquer opinião, sugestão e crítica.
Abraços fraternos e até a próxima.