Autor Livro
Biografia Assunto
  Aconteceu
Petit na Bienal
  Grátis
livros, telas, protetores...
  Pergunte ao Autor
  Abrinq
 
 
 
  Preencha o campo abaixo para receber nossas notícias.
e-mail:
 
 
 
  Rua Atuaí, 383 - Cep 03646-000 - São Paulo - SP - Brasil -
 
 

Televendas: (11) 2684-6000

 
 Download do PDF
ATENÇÃO:
A leitura deste manual na sua íntegra é requisito básico e primordial no processo de avaliação do seu livro. Nele você encontrará todas as informações necessárias para saber se o seu livro será ou não avaliado ou aprovado. Para ser avaliado pelo Conselho Editorial, ele terá de obedecer a alguns princípios básicos relativos à Doutrina Espírita e você mesmo saberá se o seu livro será aceito ou não. Assim você evitará gastos desnecessários de tempo, postagem e provas. Sabemos da sua ansiedade em ver o livro publicado, no entanto, é imprescindível a leitura deste manual, para evitar contratempos para ambas as partes.
Obrigado pela sua atenção e boa leitura.

A primeira grande virtude de um bom escritor é o gosto pela leitura,
pois sem leitura não há como aprender a escrever.

DESENVOLVIDO PELO DECAED
( DEPARTAMENTO DE CONSELHO DE ANÁLISE EDITORIAL E DOUTRINÁRIO DA PETIT EDITORA)

Prezado(a) Companheiro(a)

Muita Paz!

Movidos pelo ideal de divulgação dos conceitos cristãos na Doutrina Espírita, assumimos, junto ao Plano Espiritual, o compromisso de tentar gerar modesta contribuição, através da edição de livros cujo conteúdo observe, rigorosamente, não só os preceitos codificados, bem como, os critérios de análise para publicação, estabelecidos já em Novembro de 1859 e Maio de 1863, por Allan Kardec, em dois artigos publicados na Revista Espírita sob os títulos: "Deve publicar-se tudo quanto dizem os Espíritos?" e "Exame das Comunicações mediúnicas que nos enviam".

Para tanto, buscamos nos preparar adequadamente, estudando com afinco e fazendo do esforço, perseverança e dedicação uma saudável rotina diária de trabalho. À estes fatores somaram-se o incentivo e a colaboração de muitos e, em especial, como condição imprescindível, o irrestrito apoio e ajuda do Plano Espiritual, o que nos permitiu, não obstante
nossas falhas e imperfeições, chegarmos ao presente estágio.

Alegres, confiantes, motivados e empenhados em dar sadia continuidade aos nossos ideais, vimos nessa oportunidade solicitar-lhe sua prestimosa colaboração à qual, já de antemão, agradecemos no atendimento em sua íntegra, aos indicativos e solicitações contidos no "Guia de Orientação para Autores" e à exatidão nas respostas ao "Questionário Estreitando Laços".

Aproveitamos a ocasião para enviar um capítulo do livro Aconteceu..., por nós editado, o qual traz importantes informações aos espíritas e, em particular, aos médiuns psicógrafos. Companheiro(a), enfatizamos a importância de sua cooperação, a qual ensejará a todos nós a oportunidade de executarmos um trabalho de excelente qualidade em benefício da Doutrina Espírita através da fundamentada e segura divulgação do seu conteúdo gerador, de tantos e
incontáveis benefícios, como sabemos.

Segue, em anexo, toda documentação já mencionada e para seu melhor controle e orientação, segue abaixo discriminada:
A) Texto "Como publicar um livro"
B) Definindo o tamanho do seu livro
C) "O engano", capítulo 8 do livro Aconteceu..., psicografado por Vera Lúcia M. Carvalho
D) Texto "Como nasce um livro espírita"
E) Livros Espíritas e Espiritualistas
F) Guia de orientação para autor
G) Questionário

Fraternalmente

DECAED - DEPARTAMENTO DE CONSELHO DE ANÁLISE EDITORIAL E DOUTRINÁRIA
SUMÁRIO

Parte 1 ........................... Editores e prestadores de serviços
Editoras tradicionais
Prestadores de serviços
Melhor abordagem
Vantagens e Desvantagens
Parte 2 ........................... Linha editorial
Defina o gênero
Afie seu texto
Descubra uma editora possível

Parte 3 ........................... Como se relacionar bem com seu editor
Comunicação com várias editoras
A escolha da editora
Casamento
Contrato
Ansiedade
Trabalho pós-parto
Parte 4 ........................... Como publicar seu livro pela Petit
Linha editorial
Como mandar seu original para a Petit
Filosofia da Petit

Parte 5 ........................... Deve-se publicar tudo?
E divulgar tudo que se publica?
Parte 6 ........................... Definindo o tamanho do seu livro
Parte 7 ........................... O Engano
Capítulo do livro Aconteceu onde o espírito
Antônio Carlos conta uma história de uma médium que
é envolvida e enganada por um espírito.
Parte 8 ........................... Como nasce um livro espírita
Parte 9 ........................... Livros Espíritas e Espiritualistas
Parte 10 ......................... Guia de orientação
Condições Gerais

Parte 11 ........................... Questionário

COMO PUBLICAR SEU LIVRO
Parte 1: Editores e prestadores de serviços
Texto de Laura Bacelar*

Editoras tradicionais
Os empresários de livros são o que se pode chamar de editores tradicionais. Essas pessoas montaram negócios baseados na venda dos livros que publicam e, portanto, escolhem com grande rigor, com a ajuda de uma equipe ou conselho editorial, o que aceitam para publicação. Sua continuidade no mercado depende de adquirirem livros
que o público queira ler e comprar.

Quando você se recorda do nome de uma editora, está lembrando de uma editora que funciona nos moldes tradicionais. Essas empresas investem em uma imagem de prestígio e uma marca de qualidade junto ao público.
Editoras tradicionais jamais cobram de seus autores. Ao contrário, podem até oferecer adiantamentos, caso considerem uma obra muito interessante. Sua maneira de selecionar novos títulos é variada: elas analisam livros estrangeiros para tradução, encomendam obras a autores consagrados e estudam os originais que lhes são
oferecidos espontaneamente.

Note que, se você envia um original que não lhe foi encomendado, você se encaixa nessa última categoria. Isto quer dizer que os seus escritos são apenas uma entre as possibilidades de a editora adquirir obras de seu interesse, e normalmente a mesma equipe reduzida que lê os livros estrangeiros e fala com os autores já conhecidos precisa dar conta de ler e triar pilhas e pilhas de manuscritos. É de bom tom, portanto, não dar telefonemas exigentes e não se irritar com atrasos. A editora não tem qualquer obrigação de cumprir prazos ou mesmo devolver originais que não
tenha solicitado.

Uma vez que o conselho editorial considere o livro estrangeiro - obra encomendada ou original espontâneo (com um pouco de sorte, o seu!) - adequado a sua linha e com boas possibilidades de vendagem, é feito um contrato de edição com o autor, estabelecendo sua remuneração. Há uma grande variação aqui, dependendo da fama do autor, da tiragem inicial da obra, expectativa de venda, etc., mas os contratos brasileiros costumam oscilar entre 2 e 10% do preço de capa, valor pelo qual o livro é vendido ao consumidor.

Estamos explicando a ordem das etapas porque um dos erros mais freqüentes de autores inexperientes é perguntar quanto vão ganhar.

Ora, esta é uma questão que se apresenta somente após os originais terem sido aceitos, o que - você pode acreditar - é o mais difícil. Portanto, evite tomar o tempo do editor exigindo uma aula sobre direitos autorais antes de ele sequer ter lido sua obra.

É bom levar em conta que é muito difícil ganhar dinheiro com o primeiro livro. Uma edição habitual em nosso mercado tem dois mil exemplares, e um livro de 200 páginas costuma ser vendido a R$ 20,00. Portanto, se você esgotar sua primeira edição em um ano, terá ganho em torno de R$ 4.000,00, divididos em acertos semestrais. Isto, no entanto seria uma sorte extraordinária, pois, à exceção daqueles raros fenômenos que todo mundo fica comentando, autores desconhecidos do público não vendem dois mil livros em um ano.

É realista considerar que você no máximo verá o retorno de algumas de suas despesas.
Editoras tradicionais assumem todo o ônus da publicação. Isto quer dizer que são elas que pagam pela preparação e revisão do texto, assim como pela diagramação, composição, ilustração, arte de capa, fotolitos, papel e impressão do livro. A editora ainda se responsabiliza pela noite de autógrafos e divulgação para a imprensa, pela estocagem dos livros e pela comercialização para distribuidores e livrarias brasileiras.

Isso é muito bom para o autor, que só precisa colaborar na divulgação da obra em seu círculo de amigos e conhecidos. Por outro lado, o risco assumido pelo editor empresário lhe dá o direito de decidir como será a capa, o papel utilizado, o texto da contracapa e mesmo o título da obra, sempre visando uma maior aceitação pelo mercado.
Lembre-se de que ele deseja ver o retorno do investimento feito. Você pode, portanto, esquecer aquela sua foto que pretendia colocar na capa e as ilustrações que o seu sobrinho fez, se o seu original está sendo publicado por uma editora tradicional.

Em longo prazo, esta forma de publicação tem ainda a vantagem de oferecer o seu livro para o mercado por muitos anos. Já que a editora tradicional investiu em você, é do seu interesse reimprimir o livro muitas vezes, pois o custo de produção por exemplar cai - não é preciso fazer fotolitos para uma nova impressão, por exemplo - e o seu lucro aumenta. É benéfico para a empresa editorial que seus autores se tornem conhecidos, justamente para vender o mesmo título e talvez outros do mesmo escritor por muitos anos. Por isso, editoras investem o que podem na promoção de seus publicados, participando de feiras de livros e simpósios profissionais.

Prestadores de serviços
O autor iniciante tem a sua disposição também um número cada vez maior de prestadores de serviços, isto é, pessoas que transformam originais em livros. A gama de qualidade é imensa, desde libretos borrados grampeados a cavalo até livros com cadernos costurados e capas em quatro cores muito apresentáveis.

O importante é que você compreenda a diferença de foco do negócio destes profissionais: diferentemente dos editores tradicionais, o ganho dos prestadores de serviços provém do dinheiro que os autores lhes pagam. Trata-se de uma transação transparente, em que você pode (e deve) pedir exemplos de trabalhos anteriores, discutir preços e descontos, fazer uma lista das suas exigências, estudar alternativas.

Como pagante de todos aqueles serviços que as editoras costumam assumir, você tem o direito de decidir capa, papel, número de exemplares da tiragem, cores e diagramação da capa, título, tamanho da fonte (letra), etc. Sabendo escolher, você pode obter livros muito bem acabados e de aparência bem pouco amadora. A enorme desvantagem desta alternativa, no entanto, é como vender os livros.

No Brasil, a venda de livros é um negócio arcaico e complicado mesmo para quem já está estabelecido. As editoras tradicionais costumam fazer uso de vendedores próprios para as praças em que se situam, os quais visitam as livrarias da cidade mostrando lançamentos e recolhendo pedidos; e de distribuidores e representantes para as praças mais distantes. Esses distribuidores enviam o catálogo da editora, que pode conter dezenas a milhares de títulos diferentes, às livrarias com as quais têm contatos comerciais, que por sua vez fazem pedidos.

O que muita gente não imagina é o tamanho destes pedidos: de cada livro, as livrarias pedem em geral um ou dois exemplares - quando pedem! Há livrarias que, mesmo com insistência do vendedor ou distribuidor, aceitam apenas dois exemplares de um livro em consignação! Isto quer dizer que, apesar de só terem de pagar bem depois que o livro venda, elas se interessam em receber poucos exemplares, em geral porque estão atopetadas de livros nas estantes e julgam não poder expor adequadamente mais um novo título. A menos é claro, que se trate de um grande best seller de um autor que aparece na televisão todos os dias...

As editoras conseguem ganhar algum dinheiro nesse esquema pela soma de títulos que oferecem de uma vez. Assim, mesmo que cada livraria deseje um de cada livro, em um catálogo de quinhentos títulos a venda acaba sendo viável.
A conseqüência disso para autores autopublicados é que, a não ser que você seja um gênio do marketing e da negociação, terão muita dificuldade em colocar seu livro até nas livrarias que venham a visitar pessoalmente.
Por outro lado, esperar que distribuidores - os quais atualmente passam por uma situação bem complicada - se empenhem em vender um título isolado de um autor desconhecido é completamente irreal.

Há ventos de mudança no ar, e alguns autores já se mobilizam com a ajuda de distribuidores para formarem pools de vendas, ou seja, constituírem um catálogo de vários títulos, como se fossem uma pequena editora. Ainda assim, a comercialização do próprio livro é um trabalho ladeira acima e deve ser cuidadosamente considerado antes de impressa a tiragem.

Sempre há o outro lado da história: se você consegue vender seu próprio livro, seu lucro é muito maior que os possíveis 10% do preço de capa quando publicado por uma editora tradicional. Em casos de professores, terapeutas e profissionais que tenham contato freqüente com um grande número de pessoas, a edição por conta própria pode valer a pena em termos financeiros, mesmo sem o prestígio de ter uma editora conhecida por trás. É bom lembrar também que muitas livrarias aceitam organizar noites de autógrafos de autores autopublicados em troca de uma porcentagem das vendas. Se você tem muitos amigos simpáticos que iriam ao seu lançamento e comprariam o seu livro, essa é uma possibilidade de retorno do seu investimento bastante viável.

Melhor abordagem
Se você é um autor que busca ser publicado pela primeira vez, talvez o mais aconselhável seja procurar primeiro uma editora tradicional, e apenas depois de esgotada essa possibilidade partir para a autopublicação.

O importante a lembrar é que editores tradicionais são parecidos com gerentes de banco: eles precisam apostar em novos autores, o que eqüivale a conceder um empréstimo, porque é disso que vivem, mas também necessitam ser muito cautelosos para não levar sua editora à falência com excesso de encalhes. Já os prestadores de serviços são semelhantes a lojistas: têm uma grande quantidade de produtos a oferecer e evidentemente desejam vender para o máximo de clientes possível.

Aproxime-se dos primeiros com a calma de quem vai a um banco pedir empréstimo, e dos segundos com o espírito crítico de quem vai a uma loja fazer compras.

VANTAGENS E DESVANTAGENS

Editoras tradicionais
Vantagens

    • Assumem os custos do livro
    • Trabalham com profissionais qualificados
    • Comercializam em livrarias de todo o país
    • Divulgam a obra para a imprensa
    • Interessam-se em promover o autor a longo prazo
    • Têm o prestígio de sua marca
    • Participam de feiras do livro e simpósios
Desvantagens
    • Tomam todas as decisões sobre aparência e marketing
    • Comercializam muitos livros, o seu é apenas mais um
    • Remuneram em no máximo 10% do preço de capa
Prestadores de serviços
Vantagens

    • Seguem todas as instruções do autor
    • Apresentam qualidade muito variável
    • Entregam no prazo e nas condições determinadas
    • Permitem edições independentes do gosto do mercado
Desvantagens
    • Cobram por todos os serviços prestados
    • Apresentam qualidade muito variável
    • Não têm qualquer envolvimento com o sucesso da obra ou do autor
    • Não comercializam a obra
    • Não têm prestígio

Parte 2: Linha editorial
Texto de Laura Bacelar*

Linha editorial não é apenas uma boa desculpa para os editores recusarem a excelente autobiografia de uma ilustre desconhecida. Ao contrário, é a diretriz que norteia a maioria das decisões de uma editora bem-sucedida. O campo dos conhecimentos e assuntos que podem virar livro - de culinária a romances esotéricos - é vastíssimo. Uma editora que pretenda tornar seus livros conhecidos (para vendê-los) precisa escolher uma faixa desse campo e nele atuar de maneira constante. Essa é justamente a sua linha editorial.

Assim, dificilmente se verá uma editora de compêndios de medicina publicando manuais de auto-ajuda, não importa por quem sejam escritos. Toda a sua estrutura de vendas e marketing estará voltada para convencer médicos, estudantes e professores de medicina que seus livros são bons e confiáveis. Mesmo que doutores consumam auto-ajuda, não têm o hábito de consultar o catálogo de sua editora técnica para encontrar seu passatempo de fim de semana. Uma editora pode ter mais de um assunto em sua linha editorial, como por exemplo história e filosofia, ou romances estrangeiros e esportes. Não cabe a você julgar ou tentar convencer uma editora a se adaptar à sua obra, porém pesquisar quem no mercado já está produzindo livros similares.

Defina o gênero
Seu primeiro passo, portanto, é descobrir em que gênero a sua obra se encaixa. Trata- se de ficção (literatura, contos, romance "água com açúcar") ou não - ficção (sociologia, direito, marketing)? De que tipo, mais precisamente? Dirige-se a um público infantil, juvenil ou adulto? Pressupõe conhecimentos técnicos na área ou é para consumo do público em geral? É poesia? Autobiografia? Se você respondeu sim mais de uma vez para a mesma pergunta, tem um problema. Editores têm alergia a originais que pretendem ser filosofia, lição de vida para os jovens, autobiografia e comentários sobre sua carreira de promotor público ao mesmo tempo. Eles acham, com sua experiência de mercado, que publicar assim seria o equivalente a tentar convencer alguém a assistir um jogo de futebol em que houvesse intervalos para ópera, discussões sobre a situação econômica e gaguez humorística. Independentemente da qualidade de cada trecho em si, seria pouco provável que um mesmo espectador gostasse ou mesmo assistisse a tudo.

Assim, avalie a sua própria obra e reformule-a para ser apenas uma coisa: reminiscências OU análise profissional OU poesia OU romance. Você sabe que fez um bom trabalho quando consegue encontrar o lugar ideal para seu livro nas prateleiras de uma livraria, na companhia de priminhas parecidas (porém não idênticas) à sua obra. Editores têm ainda uma aversão recorrente por trabalhos amadores. Ao escolher o gênero predominante de sua obra, dê preferência àquilo que conhece melhor. Se você não tem prática em produzir literatura, é muito mais provável que consiga escrever um bom comentário sobre a vida nos tribunais de São Paulo (após ter trabalhado em vários por vinte anos) do que uma história de detetive interessante para o público leitor.

Leve em consideração que alguns gêneros são absolutamente temerários. Poesia, por exemplo, só terá chance de publicação se você for uma pessoa conhecida no meio cultural. Uma autobiografia, apenas no caso de você ser uma celebridade, ter tido experiências muito incomuns ou escrever como Machado de Assis.

Afie seu texto
Mesmo que você envie uma obra sobre o que domina para uma editora que publica aquele gênero, será sumariamente recusado se apresentar um calhamaço de quatrocentas páginas. Ninguém, nesses tempos de dinheiro curto, se arrisca a publicar um livrão (que se traduz em caro) de um autor desconhecido. Resuma, afie, corte.
Separe o assunto em duas obras se for o caso. E considere contratar editores de texto profissionais para eliminar repetições e incoerências que você não consegue enxergar, aumentando o impacto do que está querendo dizer.

É uma boa idéia testar seu trabalho com amigos, mas tenha a coragem de pedir apenas a opinião daqueles sinceros e com boa bagagem literária. De outra forma, estará angariando um monte de palpites simpáticos e inúteis de sua mãe e da tia Maria.

Descubra uma editora possível
Após ter classificado ou adaptado a sua obra a um gênero existente no mercado, pesquise quais editoras o estão publicando. Para isto, não consulte apenas a sua própria biblioteca mas abale-se até uma livraria, visto que novas editoras surgem a cada mês. Tenha o cuidado de notar o que foi feito mais recentemente, pois uma casa editorial com muitos anos no mercado pode ter publicado literatura brasileira na década de setenta e hoje só encarar informática. Procure perceber também se a editora que publica o gênero de sua obra não tem uma ideologia muito diferente da sua. Por exemplo, uma editora religiosa católica não vai publicar um livro espírita mesmo que fale de Jesus o tempo inteiro. Uma editora liberal tampouco vai editar a biografia de um coronel do Nordeste, ainda que contenha passagens históricas fascinantes.

Se você for criterioso/a, deve chegar a não mais que cinco ou seis editoras possíveis para a sua obra no mercado brasileiro. Envie, então, para cada uma delas, uma cópia impressa de seu texto, acompanhada de uma carta bem curta descrevendo o gênero em que se encaixa, aquilo que a diferencia das outras no mesmo ramo e, no caso de uma obra técnica, as suas qualificações para dissertar sobre o assunto. Não esqueça de incluir seu nome, endereço e telefone na primeira página do original.

Parte 3: Como se relacionar bem com seu editor
Texto de Laura Bacelar*

Comunicação com várias editoras
É normal e aceitável que um autor submeta o mesmo original para avaliação por várias casas editoriais, aguardando que alguma se pronuncie. Quando uma delas o faz (em geral a menor e, portanto mais ágil), pede a boa educação que você avise às outras para que interrompam seu processo de avaliação.

Nessa hora alguns escritores tentam "forçar" uma decisão positiva de uma editora maior e mais famosa, com o argumento de que seu original já foi bem recebido por outra. A estratégia é válida, mas nem sempre produz bons resultados: a editora maior pode parabenizá-lo e deixar seu original de lado; o editor que o aceitou pode ser um rival detestado daquele a quem você está contatando e se ofender por ter mandado seu trabalho para os dois (editores têm egos às vezes tão grandes quanto os autores);o editor que o aceitou pode ficar sabendo que você contatou o rival detestado e voltar atrás!

Tome bastante cuidado, portanto: jamais minta, uma vez que o mercado é pequeno e a maioria dos editores sabe o que acontece uns com os outros. Só diga que o seu original foi aceito depois que você tiver visto o contrato. Conversa editorial simpática pode sumir no ar de um dia para o outro, ou o profissional que tratou com você trocar de emprego subitamente. E tente não dar uma de mercenário, já que editoras são um tanto ariscas com comportamento agressivo de autopromoção ao estilo norte- americano (eis um área em que receitas de marketing não funcionam...).

A escolha da editora
Se você estiver na ótima posição de dispor de mais de uma editora pela qual se decidir, considere alguns aspectos fundamentais: qualidade, distribuição, marketing e política de longo prazo. Dá mais prestígio ser publicado por uma editora tradicional do que fazer uma edição por conta própria, mas não se a editora for tão precária que torne o produto de baixa qualidade. Capas horrorosas, erros de revisão, composição mal feita depõem contra a sua obra mais do que uma edição própria bem cuidada. Antes de assinar qualquer contrato, dê uma olhada nos outros livros publicados pela editora e veja se a sua apresentação lhe agrada.

A distribuição é o segundo ponto-chave: verifique se você consegue encontrar outros títulos da editora em questão nas melhores livrarias, leia o catálogo prestando atenção na clareza de apresentação das obras, telefone para o departamento de vendas pedindo informações sobre um livro que tenham lançado e analise o cuidado do atendimento.
Quanto mais bem atendido como consumidor você se sentir, tanto maiores as chances de que seus futuros leitores consigam comprar a sua obra.

O marketing deve ser estudado sob dois ângulos, o da marca editorial e o do autor. A editora que se promove confere mais prestígio aos seus autores do que editoras menos conhecidas, além de ter melhor trâmite na grande mídia. Por outro lado, as editoras famosas nem sempre investem na imagem do autor novo, deixando que o mercado o teste antes de darem todo o suporte de sua máquina marqueteira. Isso quer dizer que, ao ser publicado pela editora do José Saramago, por exemplo, você corre o risco de ser ignorado pelo pessoal de divulgação, ainda mais se o seu lançamento coincidir com o da última obra de um figurão como ele. Uma editora pequena pode oferecer-lhe mais em termos de marketing de autor, mas talvez não tenha a mesma influência das grandes editoras na mídia. Pondere (com o máximo de honestidade possível) se a sua obra tem o potencial de se tornar realmente um best seller, para o que uma grande editora apresenta mais vantagens, ou se é uma obra que necessita conquistar um público específico e diferenciado, quando uma pequena editora se torna mais vantajosa.

Por último, se precisar escolher por qual editora ter seu original publicado, considere suas políticas de longo prazo. A enorme maioria dos autores bem-sucedidos de todo o mundo alcançaram a fama apenas depois de uma ou mais obras de médio impacto, incluindo-se aí o autor brasileiro de maior vendagem na história, Paulo Coelho. É muito raro o escritor se tornar famoso com seu romance de estréia, razão pela qual, a menos que sua obra seja circunstancial (como a biografia de alguém muito visado pela mídia),é sábio avaliar se a editora com a qual pretende estabelecer um relacionamento se dispõe a promovê-lo e mantê-lo em catálogo por muitos anos.

Casamento
Assim como num casamento, pense bastante antes de assinar o contrato. Mesmo que você tenha recebido o "ok" de uma única editora para publicar a sua obra, avalie os quatro pontos mencionados anteriormente a fim de julgar se aquela casa vale a pena ou se seria melhor esperar, afiar o trabalho para oferecê-lo novamente, ou publicá-lo por conta própria. Um dos erros mais freqüentes de autores de primeira viagem é achar que é melhor ser publicado por qualquer editora do que por nenhuma. Isso simplesmente não é verdade.

Uma editora que publique sua obra com baixa qualidade e a deixe empoeirando no depósito sem fazer esforço para chegar a seus leitores estará lhe prestando um grande desserviço. Você terá um título de péssima vendagem em seu currículo, o que dificultará o caminho de seus próximos originais, e talvez perca a oportunidade de ver sua primeira obra fazendo sucesso, já que na maioria dos casos os editores avaliam apenas trabalhos inéditos e não vão levar em conta que o mau desempenho talvez resulte do pouco profissionalismo da sua primeira editora.

Muitos autores entram no processo de publicação como se estivessem numa nuvem, tomados de devaneios de fama e fortuna. Depois que o livro sai, descobrem que não serão entrevistados pelo Jô Soares nem verão seu livro em pilhas na melhor livraria da cidade, nem na lista de mais vendidos da Veja. Começam então a enxergar os defeitos da editora, que até então era a noiva perfeita.

Ora, uma editora é um empreendimento comercial de antecedentes facilmente verificáveis. Além de testá-la como possível consumidor, é tarefa simples contatar um de seus autores e perguntar-lhe sobre o processo editorial da casa à qual você está considerando pertencer. O próprio pessoal do departamento editorial em geral aponta as limitações de sua empresa com franqueza quando questionado. Só não é justo você ficar infernizando a equipe de vendas para atender melhor a região Norte (onde você tem família), sendo que a editora, em dez anos de funcionamento, jamais dispôs de um representante que atendesse lá. É o mesmo que casar com alguém moreno e depois ficar dizendo que, na verdade, você gosta de cabelos loiros...

Avalie bastante. Mas, uma vez escolhida a editora, tente ficar com ela. Quase ninguém trabalha com livros no Brasil sem algum componente de idealismo em seu caráter, dadas as dificuldades do setor. Os autores são meio que "adotados" pelos editores e representam um investimento maior do que meramente o dinheiro gasto com a produção. Trocar de editora representa desprezar o envolvimento das pessoas que acreditaram no seu livro, além de jogar fora uma série de contatos e espaços conquistados com sua primeira publicação.

Contrato
O contrato é o documento que explica o que você está concordando em receber pela publicação de seu texto. No mundo inteiro, a remuneração de autores não costuma ultrapassar os 10% do preço de capa, ficando em geral abaixo disso no caso das primeiras edições. A única coisa que varia muito é o adiantamento. Como o próprio nome indica, depois é descontado dos direitos autorais devidos. No entanto, só se concede adiantamento para autores de renome ou que tenham uma obra passível de grande destaque na mídia. Autores iniciantes raramente recebem dinheiro antes de seis meses de publicados.

O contrato explica também quando você irá receber (mensal, trimestral ou semestralmente), a quantos exemplares tem direito como autor, como ficam os acertos de vendas especiais, etc. Os pontos para os quais você precisa estar atento são: 1) a validade do contrato. Ele tem de ter uma data de término, após a qual as cláusulas serão renegociadas, de forma que um contrato modesto hoje não seja um impedimento daqui a alguns anos se a obra tornar-se um sucesso. Um prazo de sete anos é corriqueiro no meio. 2) os direitos secundários, como venda para o exterior ou para outras mídias. Apesar de raro, é possível que a obra seja negociada para a televisão ou o cinema, devendo ficar claro no contrato quais as porcentagens da editora se fizer a negociação e se a negociação for feita por outros.

Como todo acordo comercial, é recomendável que você o leia com cuidado e peça a opinião de um advogado, caso sinta que há passagens pouco explicadas. Quanto mais clareza houver, tanto menos desentendimentos futuros. As editoras costumam trabalhar com contratos padronizados, escritos no fim do 19º século e de vez em quando atualizados. De modo geral, não há intenção alguma de engambelar autores, mas contratos vagos permitem que, daqui a vinte anos, o filho do atual editor ganhe metade do acordo que você conseguir engendrar com uma TV a cabo educativa. Consulte a CBL (Câmara Brasileira do Livro) ou entidade similar, se resta-lhe dúvidas. Constando ou não em contrato, como autor você tem direito a examinar notas fiscais e mesmo fazer auditorias do estoque, caso tenha a impressão de que os acertos são inferiores às quantias realmente vendidas, bastando marcar uma data de visita com a editora e ser acompanhado por uma terceira parte neutra. Obviamente, este é o último dos últimos procedimentos a que recorrer - depois de todo tipo de tentativa diplomática de prestação de contas - , visto que o desconforto resultante manda o relacionamento com a editora para o espaço. Ainda assim, em casos de grandes best-sellers (mais de dez mil exemplares vendidos em seis meses, por exemplo), pode ser justificável.

Em todo caso, vale sempre o mesmo princípio: observe antes para não brigar depois.
Perguntando, é fácil descobrir se a editora tem reputação de honesta ou nem tanto.
Negociando antes de assinar, é mais fácil conseguir um maior número de exemplares gratuitos ou mesmo para que o acerto seja trimestral em lugar de semestral. Depois de arquivado o contrato pelo departamento jurídico da empresa, não adianta reclamar que a porcentagem é baixa ou qualquer outro detalhe do gênero. Alterações a posteriori são complicadas e vão contra o andamento natural dos processos da editora.

Ansiedade
O livro é um produto sobrecarregado de prestígio, com aura de "elitizado" e de trabalho de uma vida inteira. São imagens obviamente distorcidas, mas que deixam autores iniciantes muito inseguros, temerosos de que sua reputação seja abalada ou que seus professores os considerem um desastre ou que os cônjuges os abandonem ou que não apareça ninguém no lançamento.

Apesar de os medos fazerem parte do processo, é salutar lembrar que os profissionais de uma editora são do ramo da cultura e não psicólogos de plantão. Ataques de ansiedade, telefonemas diários à produção, reclamações insistentes sobre atrasos, revisões obsessivas e uma presença constante e não requisitada na editora não só não alteram a qualidade do produto final como podem deixar os responsáveis pelas decisões importantes de seu livro de muito mau humor.

Faça um favor a você mesmo e encare a edição de sua obra com o máximo de calma e equilíbrio possíveis. Faça de conta que está preparando uma lista de supermercado ou uma viagem à Europa. Trabalhe sua ansiedade com um terapeuta e dispense o editor de lhe fazer agrados no ego ou resolver suas inseguranças. Dessa forma, os inevitáveis problemas que surgirem poderão ser resolvidos de forma adulta e produtiva para todos os lados; afinal de contas, há em comum o desejo de que o livro seja um sucesso.

Trabalho pós-parto
Se você pensa que o seu trabalho acaba com o ponto final, esqueça. É imprescindível que você se torne um divulgador ferrenho de sua obra, dispondo-se a falar dela em programas de rádio a horas absurdas, dar entrevistas em talk-shows que você nem sabia que existiam, cavar palestras nas instituições de ensino com as quais você tenha contato e principalmente descobrir o endereço completo, incluindo CEP, até da sua professora do jardim-de-infância a fim de convidá-la para o seu lançamento.

Publicar é tornar público. A divulgação faz parte do trabalho de publicação de uma obra. Neste mundo explodindo de informações em que vivemos, não é fácil se fazer ouvir, ver, lembrar. A editora é responsável, de seu lado, por assessoria de imprensa, convites, releases e material de divulgação. Mas você também tem de contribuir, e com energia, para que seu livro seja comentado. Guarde no armário de antiguidades aquela noção de que autores fazem fama enquanto se fecham em suas bibliotecas! Chame os amigos, contate colegas, não se iniba. A maioria dos compradores de livros se decide após ter ouvido falar de uma obra. E cada leitor pesa para fazer com que sua obra cruze a linha que separam um triste encalhe de uma bem-sucedida contribuição à cultura.

Este artigo é o terceiro de uma série de três, que abordou a distinção entre um prestador de serviços e uma editora tradicional, e como selecionar uma editora a qual apresentar seus originais.
*Laura Bacelar trabalha no mercado editorial desde 1982.
Artigos extraídos da Revista Livro Aberto do Grupo Editorial Cone Sul.

Parte 4 : Como publicar seu livro pela Petit
Texto equipe Petit

Linha Editorial
A Petit Editora, por opção de sua diretoria, publica livros estritamente espíritas, ou seja, textos que estejam completamente dentro dos preceitos codificados por Allan Kardec. Muito se tem comentado sobre até onde vão esses parâmetros e a dificuldade de definir onde se encaixa um livro espírita. Em razão dessa dificuldade, muitos textos têm sido publicados como sendo espíritas; porém, pela falta de estudo das obras de Allan Kardec, estes livros trazem enganos às vezes grosseiros e outros sutis que chegam a enganar até mesmo um experiente trabalhador na seara espírita. Só mesmo o estudo das obras básicas dão garantias de conhecer uma obra legitimamente espírita.

Devido ao grande avanço da Doutrina no meio do público em geral, graças à divulgação feita por meio de novelas, livros sérios, peças teatrais e outros, as livrarias descobriram que este é um "filão" no mercado e cada vez mais os livros espíritas conquistam espaços nas livrarias, coisa que há pouco tempo não existia. Hoje é possível ver grandes editoras investirem neste seguimento; porém, como falta- lhes o principal, ou seja, conhecimento, acabam por publicar livros que não representam o pensamento verdadeiramente espírita, trazendo prejuízo para muitos, principalmente o leitor leigo que ainda não conhece os princípios básicos da Doutrina.

Vemos ainda editoras que vislumbrando este nicho de mercado, avançam editando tudo o que lhes cai às mãos, sem o mínimo de cuidado na revisão doutrinária, na diagramação, etc., trazendo um amontoado de obras que, em vez de esclarecer o leitor, irá confundi-lo mais ainda, até ele descobrir que foi enganado, já gastou muito dinheiro. Pode até haver no meio deste amontoado de obras questionáveis alguma que seja séria e boa, mas por estar no meio daqueles com certeza será uma obra perdida. Resumindo: o que garante uma boa editora espírita é seu conhecimento das obras básicas.

Como mandar seu original para a Petit
Primeiramente, o autor nunca deve mandar o original; deverá enviar sempre uma cópia e manter consigo o original, desde que esteja no computador. Antes de enviar seu livro para a Petit, solicite o kit do autor (que é exatamente este que você está lendo e que pode ser impresso direto na sua impressora). Neste kit, o futuro autor irá tomar conhecimento de vários itens importantes de como deve ser o seu livro e tomará conhecimento a fundo do perfil editorial da Petit. Depois de estudar o kit, o autor enviará sua cópia para análise pelo conselho editorial que irá ler o livro e fazer as avaliações e observações. Caso o livro seja aprovado, a editora entrará em contato com o autor para ser agendada uma reunião, quando todos se conhecerão e acertarão os detalhes. Se o livro não for aprovado, será devolvido acompanhado de uma carta explicativa.
Quando o livro é aprovado, a editora assume todos os custos de produção, distribuição e divulgação.
O autor não precisa investir mais nada, pois em parte o seu trabalho já está feito; ele terá, sim, que auxiliar na divulgação. Se for bom palestrante, irá fazer muitas palestras.

A Petit é uma editora atípica, ou seja, muito diferente de outras. Nela, cada livro é um filho a ser cuidado, com muito carinho. Praticamente todos da editora trabalham no livro a ser lançado, muitas vezes solicitamos auxílio externo na produção do livro tanto de encarnados como até de desencarnados, ou seja, espíritos protetores da casa. Graças a este auxílio recebido conseguimos fazer de um novo autor, que nunca publicou nada, ser um best-seller já no primeiro livro, como foi o caso do nosso José Carlos De Lucca, com o seu livro Sem medo de ser feliz, que em seu lançamento saiu com 30.000 exemplares e sete meses depois, mais 20.000, ou seja, em menos de um ano, e hoje já conta com uma tiragem de 60.000 exemplares! A Petit não se preocupa em publicar muitos livros, o que queremos é publicar bons livros; o que interessa é a qualidade, não a quantidade.

Filosofia da Petit
Nós da Petit acreditamos que é de suma importância estar compromissado com a verdade, sempre a verdade, pois já disse o mestre Kardec: "É preferível recusar 99 verdades do que aceitar uma mentira". A espiritualidade conta com nosso trabalho e precisamos fazer por merecer esta confiança, fazer as coisas bem feitas e com cuidadoé o mínimo que podemos fazer. A Doutrina Espírita é abrangente, pois está na vida do ser humano em sua totalidade, seja na religião, na filosofia ou na ciência. É amplo o trabalho e fascinante o terreno a ser trabalhado! O que a Doutrina precisa é de
trabalhadores sérios e compromissados com a verdade e que levem com responsabilidade o estudo e a divulgação do Espiritismo.

A Petit procura trabalhar com autores que sejam trabalhadores na seara espírita e que tenha bons conhecimentos da Doutrina. Não pode ser superficial, é necessário saber do que está falando, é imprescindível transmitir mensagens corretas; se não souber, não deve fazer.

Parte 5 : Deve-se publicar tudo?
E divulgar tudo que se publica?

Texto de J. C. Ângelo Cintra e J. A. Castilho

Consideramos extraordinário o exemplo de Yvonne A. Pereira que, tendo recebido mediunicamente o livro Memórias de um suicida, engavetou-o porque tinha dúvidas sobre o conteúdo da obra. Somente depois de mais de 20 anos é que o entregou à editora, após revisão espiritual de Léon Denis.

Hoje, porém, é fácil observar que muitos médiuns não procedem da mesma maneira, enviando apressadamente para publicação tudo que recebem do plano espiritual. Daí um grande número de obras que não mereciam ter sido publicadas, porque divulgam violência, sensualidade, assuntos escabrosos, explicações antidoutrinárias e temas excessivamente repetidos. Ou apresentam linguagem confusa e até contradições.

Além disso, há um número crescente de instituições assistenciais espíritas editando livros com o objetivo único de obter recursos financeiros, sem avaliar devidamente o conteúdo de tais obras, o que a nosso ver contraria a finalidade superior do livro espírita, pois, segundo Emmanuel: O livro espírita já é caridade em si mesmo.

Diante dessa situação, julgamos oportuno consultar a opinião de Allan Kardec, que tratou do problema em dois artigos na Revista Espírita: "Deve-se publicar tudo quanto dizem os espíritos?" (nov./1859) e "Exame das comunicações que nos enviam" (maio/1863), os quais recomendamos aos médiuns psicógrafos, escritores, editores e redatores de jornais espíritas. Após uma leitura atenta dos dois artigos, destacamos, com algumas adaptações, as seguintes observações, denominando-as de critérios para análise de matéria destinada à publicação:

1. Não aceitar cegamente textos mediúnicos sem um controle severo. Publicar sem exame, ou sem corretivo, tudo quanto vem dos espíritos seria dar prova de pouco discernimento;
2. Ao lado de comunicações francamente más, outras há que são simplesmente triviais ou ridículas. Tais publicações têm o inconveniente de induzir em erro pessoas que não estejam em condições de aprofundar-se e de discernir entre o
verdadeiro e o falso;
3. Há comunicações que podem prejudicar gravemente a causa que pretendem defender, em escala muito maior que os grosseiros ataques e as injúrias de certos adversários;
4. A importância que, pela divulgação, é dada às comunicações de espíritos inferiores os atrai, os excita e os encoraja;
5. Os bons espíritos ensinam mais ou menos a mesma coisa por toda parte, porque em toda parte há os mesmos vícios a reformar e as mesmas virtudes a pregar. Por isso, há centenas de lugares onde se obtêm coisas semelhantes, e o
que é de poderoso interesse local pode ser banalidade para a massa;
6. Uma coisa pode ser excelente em si mesma, muito boa para servir de instrução pessoal, mas o que deve ser entregue ao público exige condições especiais.
Convém, portanto, rejeitar tudo quanto, pela sua condição particular, só interessa àquele a quem se destina, e também tudo quanto é vulgar no estilo e nas idéias, ou pueril pelo assunto;
7. Mesmo a pessoa mais competente pode enganar-se. Tudo está em enganar-se o menos possível. Há espíritos que se comprazem em alimentar em certos médiuns a ilusão de que não estão sujeitos a enganos. Por isso, nunca seria demais recomendar a estes não confiar em seu próprio julgamento. Nesse sentido, os grupos são importantes pela multiplicidade de opiniões que neles podem ser colhidas. Aquele que, neste caso, recusasse a opinião da maioria, julgando-se mais esclarecido que todos, provaria superabundantemente a má influência sob a qual se acha;
8. Ao lado de alguns bons pensamentos encontram-se, por vezes, idéias excêntricas e traços inequívocos da mais profunda ignorância. Nesta espécie de trabalho mediúnico é que mais evidentes são os sinais de obsessão, dos quais
um dos mais freqüentes é a injunção da parte do espírito de os fazer imprimir;
9. Nenhuma precaução é excessiva para evitar publicações lamentáveis. Em tais casos, mais vale pecar por excesso de prudência, no interesse da causa;
10. Publicando comunicações dignas de interesse, faz-se uma coisa útil. Publicando as que são fracas, insignificantes ou más, faz-se mal em vez de bem;
11. Uma consideração não menos importante é a da oportunidade. Comunicações há cuja publicação é intempestiva e, por isso mesmo, prejudicial. Cada coisa deve vir a seu tempo;
12. Não se trata de desencorajar as publicações. Longe disso. Mas mostrar a necessidade de rigorosa seleção do material.

Aplicando esses princípios às comunicações a ele enviadas até maio de 1863, Kardec classificou-as, obtendo as seguintes conclusões:
a) Em 3.600, mais de 3.000 eram de moralidade irreprochável;
b) Desse número, menos de 300 poderiam ser publicadas;
c) Apenas 200 apresentavam-se de mérito inconteste.

Quanto aos originais produzidos por encarnados, em cerca de 30, Kardec encontrou 5 ou 6 de real valor.
Conclusão de Kardec: No mundo invisível como na Terra, não faltam escritores, mas os bons são raros.

Parte 6 : Definindo o tamanho do seu livro
Um dos maiores problemas para quem vai escrever um livro, e saber qual o tamanho que ele precisa ter para não assustar o leitor que não tem o hábito de leitura e que não gosta de livros volumosos e não deixar o livro com muitas páginas, cansativo, fazendo dele um calhamaço destinado ao insucesso ou fazer um livro curto demais que não dá nem para publicar.

Hoje as editoras em geral estão fugindo do livro muito grosso, ou seja, com muitas páginas por três motivos que são. Primeiro; o livro com muitas páginas têm um custo muito alto e isso já leva a um segundo motivo que é torná-lo caro para o bolso do leitor. O terceiro motivo é que hoje, o tempo está muito curto e os leitores não querem perder muito tempo com um mesmo livro, eles querem a informação rápida e se possível, mais barato.
Por essa razão recomendamos aos futuros escritores que tomem muito cuidado na hora de escrever, escrever muito não é um bom indicio, o que precisa é ser objetivo.

Se for um romance, não ficar filosofando muito e descrevendo com muitos detalhes a casa que o personagem mora e esquecendo da trama. Um romance precisa de diálogos bem equilibrados com as partes dissertativas, aquelas em que o narrador vai dar as informações referentes as localidades, dos personagens e assim por diante.

Outro detalhe importante e que merece ser observado pelo novo autor e evitar o máximo possível utilizar palavras de pouco uso, ou seja, palavras de difícil entendimento. O livro para alcançar o sucesso, tem que ter além de uma boa história, fluidez tem que deslizar sem tropeções. Imagina no meio de uma cena de grande emoção o leitor esta totalmente envolvido e de repente aparece uma palavra totalmente estranha e tira toda a emoção da leitura. Dizemos sempre, o livro tem que ser como um escorregador, do começo ao fim, sem obstáculos. Não há necessidade nenhuma de utilizar palavras difíceis. Quanto mais simples melhor, se quiser agradar a grande massa de leitores que consomem livros.

O melhor programa de computador para escrever um livro é o Word. Se você não tiver, arrume um. Utilize para escrever a fonte Times com o número 12 ou 14. Os títulos no número 24.

O ENGANO
Fui visitar minha amiga Patrícia.11 Realiza seus planos, estuda e leciona. Encontrei-a na Colônia de Estudos "Casa do Saber", onde dá aulas por doze horas diárias, além de estudar seis horas em outra Colônia.
– Antônio Carlos, que bom revê-lo! – disse-me contente, com seu sorriso encantador.
– Sei que está muito ocupada, mas vim visitá-la. Como tem passado esta minha amiga tão atarefada?
– Agradeço-o pela visita. Realmente estou muito ocupada, tenho trabalhado e estudado muito. Nos raríssimos momentos de folga, vou visitar meus familiares. Sei sempre deles, fazem parte de mim. Antônio Carlos, escrevi os livros por sua insistência e amei fazê-los. Mas sempre quis dedicar-me ao que faço no momento: estudar e ensinar. E o faço com imensa alegria. Gosto muito de ir ao Centro Espírita, que minha família freqüenta e escutar meu pai nas suas palestras, porém tenho ido lá raramente.
– Patrícia, não pensa em escrever mais livros? – indaguei.
– Atualmente tenho muito trabalho e, como disse, não tenho ido à Terra e nem me comunicado com encarnados. Não descarto a possibilidade de escrever outros livros, e sei que tia Vera aceitará com gosto trabalhar comigo novamente. Talvez o faça, se achar que valerá a pena.
Entendi o que a menina Patrícia falou. Nós, os desencarnados, não somos propriedade dos médiuns. Mas por motivos de afinidade e carinho estamos unidos a um em particular. Antes de escrever livros, eu, Antônio Carlos, era um desconhecido.
Patrícia é uma das muitas jovens que desencarnou em sua cidade. Ela tem muitos motivos que a ligam à médium Vera e, para escrever os três livros, treinou por um bom tempo. Assim como eu, que me preparei nove anos para escrever o primeiro livro e atualmente são muitos anos de trabalho e carinho. Não que não possamos escrever por outros médiuns, outros podem ser, às vezes, até mais capazes. Mas é por afinidade, treino e um imenso amor que nos unem.
Sabendo que Patrícia iria iniciar seu horário de trabalho, despedi-me de minha amiga com carinho.
Da Colônia "Casa do Saber" fui à Casa do Escritor, onde vou sempre. Conversei com amigos e depois dirigi-me à Sala de Pedidos, local da Colônia, onde chegam pedidos para os escritores desencarnados.
– Recebemos agora este pedido – disse Aldo, que trabalhava ali no momento –, é de uma moça encarnada que se chama Francisca. Pede ajuda à Patrícia. Como ela não está conosco no momento, a equipe de socorro atende em seu nome.
– Se me permite, irei saber o que ocorre.
– Agradeço – disse Aldo.
Em instantes, estava ao lado de Francisca. Ela, em sua casa, chorava e pedia ajudaà Patrícia.
– Patrícia, como é duro ser médium! Que faço agora? Tenho psicografado com tanto carinho e me disseram que as mensagens que recebo não são de quem as assina.
Acalmei-a com passes e ela deitou-se. Analisei a situação. Francisca estava psicografando. Li as mensagens que recebeu, eram boas, com conteúdo Espírita, mas não tinham nada a ver com o espírito que as assinava. Era de um desencarnado conhecido no meio Espírita. Para tirar dúvidas, voltei à "Casa do Escritor" e não foi difícil achar o personagem, que me afirmou não ser ele o autor, finalizando:
– Sou muito ocupado; até que gostaria de ser protetor de muitos que me solicitam, mas não tenho tempo. E também não posso ditar mensagens à revelia. Sabe bem que tudo o que faço é preparado, que tenho o médium com que trabalhei e trabalho para estar com ele. E se tiver que ditar algo aos encarnados, é por ele que o farei.
Agradeci e fui ao Centro Espírita que Francisca freqüentava. Logo achei o desencarnado que se fazia passar por outro. Conversei com ele.
– Meu amigo – disse –, por que usa um nome que não lhe pertence? Como tomou a aparência desse desencarnado?
Alberto, era o nome dele. Não era mau, o que lhe faltava era conhecimento.
Convidou-me a sentar ao seu lado e me disse:
– Admiro muito essa pessoa. Queria escrever, mas quem iria dar atenção a um simples Alberto desconhecido? Assinando um nome conhecido, chamo a atenção.
Depois a médium queria muito que aquele espírito lhe ditasse mensagens. Queria tanto, que me aceitou na hora em que tentei passar por ele. Depois, tive tantos nomes, que importaria mais um?
– Alberto – disse-lhe –, antes de Emmanuel e André Luiz escreverem por meio de Francisco Cândido Xavier, eram desconhecidos, e assim também muitos outros que se destacaram na Literatura Espírita psicografada. Ficaram conhecidos pela perseverança e trabalho juntamente com os médiuns que lhes serviram de intermediários. Li o que
escreveu. Tem talento. Por que não vai estudar? A Colônia "Casa do Escritor" ofereceótimos cursos de preparação.
– Não é muito demorado? Treina-se por anos. E a médium irá querer?
– Paciência, perseverança e treino: este é o caminho para se fazer um trabalho bem feito. Não é certo usar nomes de outros.
– Não fiz por mal, sou bom – respondeu Alberto.
– Sei disto. Mas engana a médium. Por que não retoma o seu aspecto, o que tinha na sua última encarnação? Não deve continuar com a aparência desse outro desencarnado.
– Tive medo que algum médium vidente me visse e me desmascarasse. Sabendo que podemos modificar a aparência perispiritual, tornei-me igual a ele. Se você me diz que isto é errado, serei eu mesmo daqui para frente.
Rapidamente ele se modificou, e era bem diferente. Alberto prometeu pensar nos meus conselhos e ir visitar a "Casa do Escritor". Despedi-me dele com carinho.
Nesse caso, Alberto aceitou meus argumentos, mas outros espíritos mais determinados ou rebeldes não os aceitam e, como têm o livre-arbítrio, são respeitados, e continuam a passar por outros. Cabe aos encarnados serem mais precavidos, estudiosos e menos orgulhosos e vaidosos.
Fui novamente até Francisca. Estava dormindo, provoquei o seu desprendimento do corpo adormecido, e ela o fez facilmente. Agora era quase como eu, em perispírito, só que ela estava ligada ao seu corpo físico. Olhou-me desconfiada e apresentei-me a ela.
– Sou um amigo, vim para ajudá-la. Vamos conversar um pouco? Por que você está triste?
– Estou há algum tempo psicografando. Gosto muito. Estava recebendo algumas mensagens de um espírito que assinava um nome conhecido dos Espíritas. Fiquei contente, mas...
– Contente e orgulhosa?
Francisca não respondeu a minha indagação. Depois de instantes silenciosa, continuou.
– Vim a saber que não era este espírito que escrevia, e sim outro. Sofri muito, sinto-me enganada.
Ainda bem que Francisca não fez como muitos outros médiuns que, mesmo alertados, teimam, facilitando o engano do desencarnado mistificador. Mas como tudo o que não é verdade não vai para frente, um dia ambos, o desencarnado e o médium, caem em contradição, acabam sendo desmascarados. Tentei explicar isso de modo mais simples à médium.
– Francisca, o Espiritismo não está nas mãos dos poucos conhecidos dos homens,
mas sim dos muitos conhecidos de Deus, estejam encarnados ou desencarnados.
Todos os Espíritas sinceros, médiuns ou não, são os que fazem caminhar esta doutrina abençoada e consoladora. Todos os Espíritas têm a mesma importância, seja o que dá passes com muito amor, o que trabalha na assistência social, o que faz uma sopa, o que confecciona uma roupa, o que trabalha com o livro Espírita, o que faz palestras, o que doutrina um desencarnado, o que psicografa; enfim, aquele que quer aprender e progredir e todos aqueles que cumprem com amor uma tarefa simples, estão colaborando com a Doutrina e todos devem ter a mesma consideração. Quanto aos desencarnados, são poucos os que se sobressaíram e ficaram conhecidos dos encarnados. Muitos trabalhadores desencarnados não são conhecidos dos encarnados, mas sim do Plano Espiritual Elevado. Muitos encarnados costumam dar valor a nomes conhecidos deles, esquecendo-se dos nomes conhecidos do Pai-Maior.
Não que estes não sejam conhecidos de Deus, são. Mas muitos outros desencarnados também aí estão trabalhando junto a encarnados com imenso amor.
– Queria tanto que fosse verdade, que esse espírito enviasse mensagens por meu intermédio – disse Francisca.
– Francisca, cada um de nós tem uma tarefa a fazer e esse espírito que cita, no momento, não pode fazer-lhe a vontade.
– Que engano chato!
– Vamos analisar o porquê desse engano. Você queria muito que esse espírito viesse escrever; quis tanto que o desencarnado que queria escrever, o fez e deu o nome que você desejava. Não foi por maldade, mas poderia ter sido. Espíritos brincalhões usam desse processo para enganar. Também ocorrem muitos casos em que o médium não pede ou não deseja mensagens de determinado espírito, mas o desencarnado que manda a mensagem, dá um nome que não é o seu, seja conhecido ou não. Por isso é preciso cuidado, tanto por parte dos médiuns quanto dos dirigentes de Centros Espíritas.12
– Que faço para não ser enganada? – indagou Francisca interessada em aprender.
– Estudar, cara Francisca. Allan Kardec analisava muito bem tudo o que recebia dos espíritos. Estude as obras do Codificador da Doutrina Espírita. Quando for psicografar, pense firme em Jesus como se nosso mestre Nazareno estivesse presente, e você a fazer a mensagem para Ele. Não queira mensagem de ninguém conhecido e, se vier alguma espontânea, analise bem para ver se é verdadeira. E muita, muita cautela; espíritos conhecidos, normalmente para evitar polêmica, preferem assinar, quando nãoé seu médium habitual, "um protetor", "um amigo" etc. Você, Francisca, no começo da mensagem, pode indagar quem é o desencarnado que quer escrever, se ele não quiser dar o nome e disser que é um protetor, tudo bem. Porém a mensagem deve ser analisada. Se for boa, de ensinamentos bons, é um bom espírito. Se não for boa, o desencarnado que escreve não está bem espiritualmente. A escrita grifa pensamentos e estes devem ser só bons. Os espíritos que não estão bem, devem usar da psicofonia para uma orientação. Mas, quando o espírito escritor dá o nome, pense bem em Jesus e peça ajuda a Ele e aos bons espíritos para que, se for verdade, o desencarnado continue a escrever e, se não for, que pare e não continue a enganá-la.
– Então foi minha culpa o engano que sofri?
– Não teria havido engano se você tivesse aceitado o desencarnado que se chama Alberto e que é desconhecido. Ore, vigie e estude, Francisca, porque, muitas vezes ao se querer tanto mensagens de desencarnados conhecidos, podem vir espíritos maus e começar uma séria obsessão, principalmente quando o médium é vaidoso. Esse desencarnado que enviou as mensagens, está há muitos anos com você. Mas o que falta a vocês dois é estudo.
– Mesmo com estudo é possível ser enganado?
– Estudo é conhecimento e com entendimento o engano fica mais difícil de acontecer. Mas mesmo com estudo ainda se pode ser enganado. Principalmente se o médium for vaidoso, orgulhoso e quiser mensagens de espíritos conhecidos. Se não tiver humildade para analisar, pode haver engano.
– É certo evocar um espírito para que escreva? – Francisca indagou, querendo saber.
– Depende – continuei a elucidá-la –, Allan Kardec evocava os espíritos para fins nobres. Outros espíritos preferem ensinar a não evocar para que não se caia em enganos. Como já lhe falei, os espíritos mais conhecidos dos Espíritas têm muitas tarefas e nem sempre estão em disponibilidade para atender. Mas evocar os espíritos para ter mensagens de familiares, por exemplo, é válido. Não há muito interesse em se fazer passar por um desconhecido, mas mesmo assim pode haver desencarnados brincalhões, até maus, que o fazem. Muitos Centros Espíritas têm êxito ao pedir aos desencarnados que enviem mensagens para amigos e familiares. Isso deve ser feito com encarnados responsáveis e sob os cuidados de um mentor ou protetor da Casa Espírita. O desencarnado a quem foi feito o pedido, é localizado e, se estiver bem, é convidado a escrever, ficando à vontade para atender ou não o pedido. Se aceitar, vem e dita a mensagem. Deve-se saber que muitos dos pedidos não são atendidos, porqueàs vezes o desencarnado solicitado não pode ditar no momento por vários motivos.
Para melhor fazer esse trabalho, aconselho-a a seguir as instruções que lhe dei. No começo da mensagem pensar em Jesus e pedir ajuda para não ser enganada.
– Acho que não vou mais psicografar – falou Francisca.
– Analise, Francisca, no que você pode ser mais útil. Lembro-a que, não trabalhar com a mediunidade, por medo de ser enganada, não é desculpa. Sendo médium, deve trabalhar com sua mediunidade para o bem de você mesma. Todos os médiuns que são úteis, têm vários anos de trabalho, treino e estudo. Trabalhando no Bem, quem primeiro recebe os frutos é você mesma, e depois os outros. A psicografia também requer do médium treino, trabalho e estudo. Talvez pela psicografia seus frutos se tornem conhecidos, mas para Deus não faz diferença. Nosso Pai-Maior quer que tudo o que fizermos, que seja com Amor.
– Agradeço a linda lição que me deu – disse Francisca.
– São ensinamentos simples e se os seguir não será mais enganada. Francisca voltou ao corpo. Quando acordou estava mais calma, recordou do sonho, ou seja, do nosso encontro. Falou baixinho:
"Devo tirar lições desse engano. Vou estudar mais e não vou querer fazer mensagens de espíritos conhecidos na Literatura. Eles são muito ocupados. Vou, sim, prestar mais atenção ao conteúdo das mensagens que receber. E, certamente, se eu me dedicar, quem sabe eu e este Alberto não ficaremos conhecidos?"
Orei por Francisca, desejando-lhe êxito e que não fizesse psicografia para se tornar conhecida, mas sim com compreensão, para ser útil e com muito Amor. Tornar-se conhecida não deve ser uma meta e sim uma conseqüência de um trabalho bem feito.
Parti para outra tarefa.
11 – Autora dos livros: Violetas na Janela, Vivendo no Mundo dos Espíritos, A Casa do Escritor e O Vôo da Gaivota. (N.A.E.)
12 – O alerta vale também para o trabalho de curas. Existem no Plano Espiritual inúmeros médicos e estudiosos que gostam de trabalhar com médiuns, tentando amenizar as dores físicas dos encarnados. E muitos médiuns só querem médicos com nomes conhecidos, prejudicando esse trabalho tão bonito. O que importa são os resultados, e o médium deve ser humilde e trabalhador. (N.A.E.)

COMO NASCE UM LIVRO ESPÍRITA
Muita gente desconhece como nasce um livro. Principalmente o livro espírita. Por essa razão, vamos mostrar a trajetória de um livro de forma simplificada, desde quando sai das mãos do autor ou do médium e chega até às mãos do leitor, passando por todas as fases necessárias.

Na Petit Editora, que é especializada em livros espíritas, há dois tipos de livros: o psicografado e o de autoria. O que é um livro psicografado? Explicamos. Livro psicografado é aquele no qual o escritor é um Espírito, ou seja, uma pessoa que já
desencarnou e está momentaneamente no outro lado, isto é, no mundo dos espíritos. E para que ele possa escrever seus livros precisa de um intermediário, que é o médium psicógrafo.

O médium psicógrafo tem muita responsabilidade, porque ele não é o autor, é um intérprete do pensamento do Espírito e seu procurador para fazer o livro tomar forma e acontecer. Portanto tem de ser uma pessoa muito equilibrada, seguidora da Doutrina Espírita e estudiosa incansável das obras do mestre Allan Kardec, ter uma grande dose de humildade e, principalmente, precisa ser caridosa. O médium, como é um representante do Espírito na Terra, necessita saber os procedimentos doutrinários, para não se deixar levar por vaidades e nem ser envolvido por Espíritos levianos, que estão o tempo todo buscando brechas para dificultar a caminhada do Espiritismo. Deve ser exigente quando for procurar uma boa editora espírita que coadune com os seus propósitos quanto à importância de divulgar e difundir o Espiritismo por meio de livro espírita de forma séria, fazendo com que o livro alcance os objetivos propostos pelo espírito.

Quanto ao autor encarnado, para escrever um livro, precisa estar tranqüilo e num local reservado onde não haja interferência de qualquer espécie. Porque autores encarnados são também constantemente inspirados ou influenciados por Espíritos. Se o escritor deseja passar uma boa mensagem aos leitores, ele estará acompanhado de bons Espíritos que vão assessorá-lo. Se o autor não estiver preocupado com questões morais, será assessorado por Espíritos levianos ou mesmo maus. A responsabilidade do escritor é muito grande, porque ele é um mensageiro.
E qual é o objetivo do editor para um livro? Óbvio, chegar às mãos do leitor. Mas além desse objetivo tão óbvio, há muitos outros. Como se trata de um livro espírita, tem como meta principal esclarecer as pessoas quanto as questões espirituais relativas à reencarnação, vida após a morte, a vida do Espírito, evolução do Espírito, de onde viemos, para onde vamos, quem somos, etc.

Aqui entra um item importante. Quando o escritor encarnado ou o médium psicógrafo tiver concluído o livro, deverá passá-lo para algumas pessoas que conhece e que seja efetivamente espírita para fazerem o papel de leitor e avaliar a obra. Caso haja necessidade, ela fará sugestões para alterações a fim de melhorá-la.
Nesse caso é muito importante que quem vai ler seja o mais sincero possível, por isso recomendamos não contar muito com a opinião apenas da mamãezinha, do filhinho, da sogra ou daquele amigo que não diz a verdade para não magoar ou coisa assim, a opinião deve vir de pessoas isentas de pressões naturais. O autor ou o médium devem estar preparados para receber críticas e sugestões e pedir à pessoa que for efetuar a leitura ser o mais crítica possível. Às vezes um desses leitores farão sugestões que melhorarão muito o livro.

Com o livro pronto, lido por várias pessoas e feitas as correções pertinentes às observações, o autor ou o médium, caso ainda não tenha editora, terá de procurar uma para publicar seu livro. E como se procura uma editora? Sai pela rua procurando? É lógico que não. O local mais apropriado para isso é uma livraria, uma grande e boa livraria que tenha diversidade de editoras expondo os livros. Avalie se as editoras são realmente espíritas. Avalie a qualidade dos livros que elas editam, tanto doutrinária, gramatical, quanto a questão gráfica. Erros de digitação e de gramática demonstram descuidos que no final trarão prejuízos. Solicite catálogo e avalie a forma de como eles tratam os autores e, principalmente, os leitores e clientes. Avalie a forma como são elaborados os textos. Ás vezes, pelo texto, a editora demonstra arrogância, indício não muito bom. Se for o caso e você tiver condições, faça pedido de livros para sentir o modo como eles atendem os clientes. É importante avaliar tudo antes, para depois não se arrepender. Não se preocupe em perder tempo nessa fase, porque na hora que você escolher uma editora para publicar o seu livro, será como um casamento.

Determinadas editoras dão muito valor ao autor e tratam-no como se fosse único, mesmo que haja na editora vários autores. Quando um novo autor, até então totalmente desconhecido, é lançado no mercado, é necessário fazer um grande trabalho de divulgação, tanto dele quanto do livro, então não é bom ficar dividindo os seus trabalhos com várias editoras. Escolha uma e fique com ela. E não tenha pressa em escolher. Ás vezes, uma má escolha atrasa em muito o sucesso que seu livro poderia alcançar.

Escolheu a editora? Então é hora de fazer contato, envie uma carta ou dê um telefonema informando que você tem um original e gostaria de submetê-lo à apreciação, solicitando diretrizes de procedimentos. A Petit Editora, antes de receber os seus originais, prefere primeiro apresentar seu perfil, sua forma de trabalhar, para ver se encaixa na sua expectativa. Muitas vezes o autor é um livre pensador e a obra que ele escreveu extrapola as linhas determinadas pelo Espiritismo. Então o livro deleé um livro espiritualista, logo, numa autêntica editora espírita, como é o nosso caso, será recusado com certeza. Existem editoras que não se preocupam muito com filosofias e não têm compromisso com nenhuma linha e editam de tudo. Se você não se importar de estar no meio de um oceano de informações desencontradas e ter seu livro sendo apenas mais um a figurar no catálogo, então não terá muito problema para achar uma editora.

Avalie bem, se você quer um trabalho profissional, objetivo, eficiente, tanto para você quanto para sua obra, seja então exigente e criterioso. Se for uma editora séria e eficiente que você escolheu (tomara que seja a nossa!) você receberá um Manual do Autor do Livro Espírita onde você conhecerá a editora, como ela trabalha, etc. Leia com muita atenção, responda com a maior seriedade possível ao questionário e envie junto com o seu original. Nós e outras editoras, pedem até 6 meses no mínimo para avaliar o livro. Você acha muito? Assim como vocês existem muitas outras pessoas escrevendo e enviando seus originais para as editoras, e nenhum original é devolvido sem um comentário.

Com o seu livro na mão o editor vai dar uma primeira olhada e verificar se está tudo em ordem, se o original, á primeira vista, é realmente um livro espírita, se o questionário foi respondido e atende ás normas, passando disso, vai para o conselho de análise editorial e será avaliado com maior rigor quanto aos temas abordados, coerência com a Doutrina, cuidados com as palavras, informações relevantes, história bem desencadeada, se for romance, etc. Se o livro for aprovado, a editora entrará em contato com o autor para acertarem os pormenores: mudança de texto, contrato*, etc.

Passado a fase de análise e de acertos, aprovados e resolvidos os pormenores, o original entra em processo de produção, indo para a mão do editor-assistente, que vai ler o livro com extrema atenção para detectar possíveis falhas quanto à construção de frases, que tenham passado despercebidos pelos avaliadores, textos poucos claros, raciocínio difícil, palavras inadequadas etc. Após essa leitura, são feitas sugestões e observações ao autor, a fim de melhorar ainda mais o livro.

Em seguida o livro é enviado para os revisores de texto, que corrigirão erros de grafia. Enquanto esse processo se desenrola, uma cópia do livro vai para o departamento de arte para serem feitas algumas sugestões de capa, materiais promocionais e ser desenvolvido também um projeto gráfico, a fim de manter uma harmonia entre todos os processos e itens. O departamento de produção começa a fazer orçamentos com birôs para executar o fotolito, gráficas para imprimir o livro e os fornecedores de papel.

Com layouts da capa, do material promocional e o projeto gráfico pronto, é apresentado ao Diretor Editorial, que vai escolher o que mais combina com o livro, baseado em sua experiência. Escolhida a melhor idéia, partem então para a finalização do trabalho.

O livro é diagramado, baseado no projeto gráfico aprovado e é feito uma última revisão. Em seguida é produzido o fotolito da capa, do miolo do livro e do material promocional. Estando tudo pronto, é enviado tudo para a gráfica que foi escolhida para imprimir o livro.

O departamento de compras providencia o papel para imprimir o livro, solicitando ao fornecedor entregar diretamente na gráfica.

A gráfica, ao receber os fotolitos, confere para ver se está tudo em ordem e de acordo com as normas técnicas que um impresso precisa ter. Estando tudo correto, o material é encaminhado para o departamento de montagem, onde os fotolitos serão montados de tal forma que, depois de impresso, e dobrado, formará cadernos com a numeração em seqüência. Depois da montagem, o fotolito segue para a seção de cópia. Na seção de cópia, o fotolito é colado numa chapa de alumínio sensível à luz. Essa chapa é colocada em uma prensa e "queimada" por uma lâmpada fortíssima. Onde há letra não passa luz, e onde não há letras, a luz "queima" a camada de emulsão. Após essa fase, a chapa é levada para revelação, na qual o processo químico elimina aquela emulsão que foi "queimada" pela lâmpada, ficando na chapa somente as letras. Ainda nesse roteiro, a chapa é levada para um forno especial para "queimar" as letras, deixando-as mais resistentes para fazer grandes tiragens de cópias do livro.

Em poder da chapa já gravada e do papel, o impressor inicia o processo de impressão. A chapa é fixada num cilindro de uma máquina de impressão chamada off-set. A maioria dos livros hoje é impresso por esse sistema. Em poucas palavras, funciona assim: a chapa é colocada em um cilindro, em contato com esse cilindro há rolos deágua e de tinta. A quantidade de rolos varia de números, dependendo da máquina.
Para simplificar, vamos ficar no mais comum. Um dos rolos é de água, mas uma água misturada com produtos químicos. Depois há mais dois rolos, esses são de tinta. Note- se que quando foi revelada a chapa, só ficaram as letras, então quando a máquina off- set está trabalhando, o rolo de água molha a chapa e onde tem letras não pega água, ficando molhado somente onde não tem letras. Quando o rolo de tinta passa por essa região não deixa tinta onde está molhada, só deixa nas letras que estão secas. Com as letras carregadas de tinta, a chapa passa por outro rolo, esse é bem maior e está revestido de uma borracha especial chamada de blanqueta. Assim, a tinta que estava na letra passa para este rolo de borracha e desse rolo passa para o papel, saindo assim a impressão. Existem hoje máquinas muito modernas que já estão dispensando o fotolito, passando informações digitalizadas direto para o cilindro. Mas isso já é outra história e não podemos fugir dos nossos objetivos.

Terminada a impressão, o livro está em folhas grandes e é necessário dobrá-las. Para isso existem as dobradeiras, que são máquinas especiais para fazer esse serviço.

As folhas são dobradas formando cadernos. Terminado a dobra, o livro vai ser colecionado, ou seja, serão juntados todos os cadernos para formar o miolo do livro. Depois de colecionado, o livro passa pela costura, quando os cadernos são presos um no outro. Enquanto isso, a capa também é impressa, também pelo sistema off-set. No sistema descrito anteriormente, o livro é impresso em folhas, chamado no meio gráfico como "plana", mas existe outro meio de imprimir os livros que é muito mais rápido e ideal para grandes tiragens, que é o sistema "rotativa", ou seja, uma máquina que, em vez de utilizar folhas, utiliza bobina, que são grandes rolos de papel. Quando sai impresso do outro lado da máquina, já está dobrado, "pulando" assim algumas etapas.

Com tudo pronto, o miolo e a capa vão para outra máquina, onde os dois serão unidos com cola. Depois de colado, o livro é refilado, embalado e encaixotado. É emitida a nota fiscal e entregue para a editora.

O departamento comercial da editora começa a oferecer por telefone, por meio de vendedores internos, externos e pessoalmente, o livro para seus clientes, livrarias, distribuidores, supermercados, papelarias, etc. Os pedidos não tardam a chegar e as notas fiscais começam a ser emitidas e encaminhadas ao departamento de expedição.
Bem antes de o departamento comercial começar a fazer a sua parte oferecendo o livro aos clientes, o departamento de marketing começa uma campanha para divulgar o livro junto aos leitores. Para isso, são emitidos mala-diretas, releases para a imprensa, anúncios em jornais e revistas, etc.

No departamento de expedição, os livros são separados com o maior carinho e colocados em caixas personalizadas, acompanhados de material promocional, que será utilizado pelo cliente, como cartazes, marca-páginas, folhetos etc.
Dependendo do padrão vibratório do pessoal e da forma como trabalha a editora que você escolheu para editar a sua obra, se for uma boa editora e ela estiver embuída de bons propósitos, preocupada apenas no bem estar das pessoas que irão ler os livros, e não apenas em questões monetárias, as caixas que transportarão os livros até o cliente serão sempre acompanhadas de bons pensamentos e bons fluidos. Quando a caixa chegar no cliente, a pessoa que a abrir receberá sempre boas vibrações. Em pouquíssimo tempo seu livro estará exposto nas prateleiras das livrarias, supermercados, papelarias etc., e em qualquer parte do país.

Em pouco tempo o leitor saberá que existe um livro novo na praça e vai querer lê-lo, principalmente se a capa for bonita, chamativa, e o assunto for interessante e cativante. O sucesso do livro começa aí, quando o leitor compra seu livro, lê, gosta e começa a comentar com seus amigos, parentes etc. É a famosa propaganda boca a boca, a mais eficiente. Só que ela funciona tanto no sentido positivo quanto no negativo. Daí o cuidado que se deve ter quando se pretende escrever um livro é necessário pensar em tudo, escolher uma boa editora e ser fiel a ela, ser autêntico e buscar a perfeição constantemente.

Notas: Quando você escolhe uma editora espírita para publicar seu livro e ele é aprovado, toda a despesa para edição, divulgação e distribuição será por conta dela. Normalmente você não terá de pagar nada. E tem mais: tem direito a receber ou indicar uma instituição espírita que receberá os direitos autorais, além de, você ter o direito de receber no mínimo 50 exemplares do seu livro, sem custo nenhum para você, para que possa distribuir entre seus amigos, parentes e para quem você quiser.

Faça sempre um contrato, nunca entregue o seu original a uma editora para edição se não foram acertados em contrato os direitos e deveres seus e os deles, mesmo que você não tenha intenção de receber direitos autorais. Existem muitas instituições de caridade, espíritas ou não, que poderão ser beneficiadas com apenas um
pequeno detalhe no contrato que você fizer com a editora.